ROSEMERY DE SOUZA - “A arte precisa brotar do coração”
- Ricardo Veras
- há 4 dias
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Arquiteta, designer e fotógrafa, Rosemery de Souza fala sobre emoção, natureza e a busca por transformar sentimentos em imagem.
Como a arte entrou na sua vida?
Desde muito cedo. Minha mãe era uma artista incrível, apaixonada pelas artes, e eu cresci no Rio de Janeiro cercada por museus, galerias e antiquários. A arte sempre foi parte da rotina. Eu fotografo desde os 4 anos de idade — sempre tive essa intimidade com a imagem. Não foi uma escolha tardia; foi algo que simplesmente sempre esteve comigo.
O que mais inspira seu trabalho atualmente?
Hoje, morando em Gramado, minha maior inspiração é a natureza e os pontos turísticos. Mas não só isso. Eu me inspiro no olhar das pessoas, nas flores, na luz, nos detalhes. Cada lugar por onde passo me provoca algo. Meu desejo é fotografar o mundo — aqui no Rio Grande do Sul, no Brasil, na Europa — e levar as pessoas comigo através das imagens.
Como você descreveria a essência da sua obra em poucas palavras?
Sentimento. Natureza. Coração.
Minha essência está na emoção que nasce quando eu observo o mundo. Está no que sinto diante de uma paisagem, de uma arquitetura, de um olhar. A arte, para mim, começa dentro.
Qual é o papel da emoção no seu processo criativo?
É tudo. A obra precisa brotar. Pode ser fotografia ou pintura — se não vier do coração, não faz sentido. Claro que usamos a razão para organizar os elementos, pensar composição, técnica, equilíbrio. Mas o coração é primordial. Quando eu crio, todos os sentimentos vêm à tona, e é dali que nasce a nova obra.
Você sente que sua arte comunica algo específico ou é aberta à interpretação?
Ela é totalmente aberta. Quem sou eu para impor uma única visão? O mais importante é que a obra desperte algo — qualquer emoção. Alegria, nostalgia, inquietação. O essencial é que a pessoa viva a obra. Se ela sentir, já cumpriu seu papel.
De que forma seu entorno ou sua vivência influenciam sua produção artística?
Influenciam completamente. Vivi no Rio de Janeiro, em Florianópolis, na cidade de Rio Grande e agora em Gramado. Cada lugar deixou marcas. Minha formação em arquitetura e design também está presente: o urbanismo, as linhas, as formas, os espaços. As pessoas que me conhecem conseguem identificar esses elementos nas minhas obras. Minha trajetória está impressa nelas.
Existe alguma obra que represente um ponto de virada na sua trajetória?
Mais do que uma obra específica, houve um momento decisivo: minha primeira mochilada pela Europa. Ali eu percebi que minha essência estava na fotografia de lugares, na natureza, nas flores, nas paisagens que carregam história. Foi quando eu disse para mim mesma: é isso que eu quero.
O que você ainda deseja provocar ou alcançar por meio da arte?
Quero demonstrar cada vez mais meus sentimentos através das imagens e incentivar outras pessoas a entrarem no mundo da arte. Seja fotografia, pintura, colagem — o importante é transmitir o que se sente. Se os outros vão gostar ou não, isso é secundário. O fundamental é você se sentir bem, ser verdadeiro. Quando isso acontece, outras pessoas se conectam. E talvez você inspire alguém a também criar.

Jornalista Ricardo Veras



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